Administradora com atuação em todo o Brasil, Cynthya Benevides tem chamado atenção para um comportamento financeiro comum que, segundo ela, corrói silenciosamente a saúde financeira das pessoas. O conceito, que ela denomina de “economia burra”, resume um hábito recorrente de tomar decisões aparentemente econômicas que, no longo prazo, geram mais prejuízo do que benefício.
“O barato que sai caro é a definição perfeita para a economia burra”, afirma Cynthya. “São decisões repetidas que já se provaram ineficientes, mas continuam sendo feitas por conveniência, imediatismo, falta de planejamento e pouca responsabilidade com o futuro.”
Ela explica que esse comportamento aparece quando a pessoa ignora a durabilidade, a manutenção e a real necessidade de um produto ou serviço em troca de uma redução imediata de custos. “Uma calça que custa R$ 400,00 e dura 10 anos representa um custo de R$ 40,00 por ano. Já uma de R$ 150,00 que dura apenas dois anos custa R$ 75,00 por ano. Quase o dobro. Ainda assim, a maioria escolhe a mais barata achando que está economizando”, pontua.

No dia a dia, esse padrão se repete em várias situações. “As pessoas acumulam assinaturas que não usam, compram por impulso só porque está em promoção, gastam horas procurando um cupom de poucos reais e deixam de fazer manutenção preventiva no carro, na saúde ou nos equipamentos da casa. Depois pagam muito mais caro pelo conserto ou tratamento”, observa.
Segundo Cynthya, a sensação de estar economizando gera uma falsa virtude. “Economizar dá a impressão de que estamos fazendo algo certo, mesmo quando o efeito real é o oposto. Isso acontece por causa de vieses cognitivos, falta de educação financeira e emoções que interferem no julgamento racional.”
Ela cita conceitos das finanças comportamentais para explicar esse autoengano. “A aversão à perda faz com que a pessoa prefira pagar menos agora, mesmo que isso gere um custo maior depois. O efeito manada leva as pessoas a seguirem o grupo sem analisar a própria realidade. O excesso de confiança faz com que se assumam riscos desnecessários. E as heurísticas, que são atalhos mentais, simplificam decisões complexas e frequentemente levam ao erro.”
Para a administradora, nem todo gasto considerado supérfluo é realmente desnecessário. “O dicionário define supérfluo como algo dispensável, mas alguns desses gastos, quando feitos com estratégia, aceleram o crescimento pessoal e profissional. Eles transformam dinheiro em ativos de valor, conhecimento e bem-estar.”
Ela destaca investimentos em educação, saúde mental, networking, imagem pessoal, experiências culturais e espiritualidade como exemplos de despesas que podem gerar retorno significativo. “Cursos, mentorias, terapia, eventos profissionais, viagens com propósito, fotografia profissional e até cuidados estéticos podem impactar diretamente na forma como a pessoa se posiciona e cresce na vida.”
Para ajudar na tomada de decisão, Cynthya recomenda o método QP2A. “Antes de qualquer compra, a pessoa deve se perguntar: eu quero, eu preciso, é agora, eu posso e está caro. Essas cinco perguntas ajudam a diferenciar um impulso de um investimento.”
Ela reforça que a principal diferença entre gastar e investir está no retorno esperado, no planejamento e na emoção envolvida. “O QP2A é simples, mas extremamente eficaz para evitar arrependimentos e endividamento.”
Cynthya alerta que a economia burra não prejudica apenas o bolso, mas também a mentalidade. “Ela atrofia o pensamento estratégico. A pessoa se acostuma a pensar pequeno, confunde disciplina com privação, vive apagando incêndios e deixa de planejar o longo prazo. Isso reforça crenças limitantes sobre dinheiro e merecimento.”
Para mudar esse cenário, ela defende atitudes práticas e consistentes. “Não é preciso planilhas infinitas ou fórmulas complexas. É necessário consciência, critério e constância. Construir uma reserva de emergência, criar um orçamento, monitorar gastos invisíveis, ter cuidado com promoções e valorizar a qualidade em vez do preço são passos simples que transformam a vida financeira.”
Para Cynthya Benevides, evitar a economia burra é, acima de tudo, uma mudança de postura. “É parar de economizar no lugar errado e começar a investir com intenção, propósito e planejamento.”
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