Doença pode evoluir sem sintomas nas fases iniciais, e avaliação médica ajuda a identificar homens que precisam de investigação
O Brasil deve registrar 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). O tumor é o mais frequente entre os homens, excluídos os de pele não melanoma, e pode se desenvolver sem sintomas nas fases iniciais. Neste Novembro Azul, a ausência de desconforto é um dos pontos que merecem atenção na discussão sobre diagnóstico e acompanhamento.
Para Ricardo Brandina, urologista e professor adjunto do Departamento de Urologia da PUCPR, sentir dor ou perceber dificuldade para urinar não deve ser condição para conversar sobre a doença. O médico coordena o Programa de Cirurgia Robótica do Hospital Evangélico de Londrina e atua na formação prática da pós graduação realizada pela instituição em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein.
“O homem não deve usar apenas o que sente como referência para saber se precisa de avaliação. A conversa com o médico considera idade, histórico familiar e condições de saúde para definir os próximos passos”, explica Brandina.
O risco aumenta com o envelhecimento. Ter pai ou irmão diagnosticado, sobretudo antes dos 60 anos, também merece atenção na consulta. Informar esses antecedentes ajuda a orientar a avaliação, mas a ausência de casos na família não elimina a possibilidade de desenvolver o tumor.
Para homens sem sintomas, a decisão sobre realizar exames precisa considerar possíveis benefícios e riscos. O Ministério da Saúde e o INCA não recomendam o rastreamento populacional, entendido como a realização sistemática de testes em pessoas sem queixas. A orientação é esclarecer questões como resultados falsamente alterados e a identificação de tumores que poderiam nunca ameaçar a vida.
Quando indicados, o PSA e o toque retal ajudam na investigação, mas não confirmam o diagnóstico isoladamente. Uma alteração no exame de sangue também pode estar relacionada a condições benignas. A confirmação do câncer depende da biópsia, solicitada conforme a avaliação médica.
A partir dos 40 anos, alguns homens podem apresentar crescimento benigno da próstata e queixas urinárias, que se tornam mais frequentes com o envelhecimento. A hiperplasia prostática benigna, conhecida como HPB, não se transforma em câncer nem é fator de risco para a doença. As duas condições, porém, podem coexistir, o que reforça a importância de investigar os sintomas sem concluir que sejam necessariamente causados por um tumor.
O que observar e quando procurar um médico
O câncer de próstata pode não provocar sintomas nas fases iniciais. Por isso, observar mudanças no organismo é importante, mas a ausência de desconforto não exclui a doença. Entre os sinais que devem motivar uma consulta estão:
- Jato urinário mais fraco ou que para e recomeça.
- Dificuldade para começar a urinar ou necessidade de fazer força.
- Sensação de que a bexiga não esvaziou completamente.
- Vontade de ir ao banheiro com mais frequência ou urgência.
- Necessidade de levantar várias vezes durante a noite para urinar.
- Presença de sangue na urina.
Essas alterações também podem ocorrer por condições benignas e não confirmam câncer. A avaliação médica é necessária para identificar a causa, especialmente quando as queixas persistem, pioram ou interferem no sono e nas atividades diárias.
“Vale observar há quanto tempo a mudança começou, se está piorando e quanto atrapalha a rotina. Essas informações ajudam na consulta. Não é preciso esperar sentir dor ou ter uma dificuldade intensa para buscar avaliação”, orienta Brandina.
A incapacidade de urinar exige atendimento imediato, principalmente quando acompanhada de dor na parte inferior do abdome. Sangue na urina, mesmo sem desconforto, também precisa ser investigado prontamente. Febre associada a ardência, calafrios ou indisposição deve motivar atendimento rápido. Esses sinais de alerta não são exclusivos do câncer.
Homens sem queixas devem conversar com o médico sobre fatores de risco, como idade e histórico familiar, e discutir os possíveis benefícios e limites dos exames de detecção. Essa decisão deve ser individualizada.
Confirmado o diagnóstico, a conduta depende das características do tumor e das condições do paciente. As possibilidades incluem vigilância ativa em casos selecionados, cirurgia, radioterapia e tratamentos com medicamentos. Nem todo diagnóstico exige uma operação imediata.
“Antes de discutir uma técnica, precisamos explicar o que o paciente tem, se há necessidade de intervenção e quais benefícios e riscos estão envolvidos”, afirma o médico. Essa avaliação individualizada também orienta o ULTRA360, método de atendimento de Brandina que reúne análise do caso, planejamento cirúrgico quando indicado e acompanhamento após o procedimento.
“O Novembro Azul pode iniciar essa conversa, mas o acompanhamento não deve ficar restrito à campanha. O objetivo é identificar o que precisa de investigação e escolher a conduta adequada para cada paciente”, conclui o especialista.
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