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Caso de brasileira mordida por tubarão-lixa vira estudo na Shark Week do Discovery Channel


A principal programação mundial dedicada ao estudo dos tubarões analisa o caso da advogada e surfista Tayane Dalazen e esclarece dúvidas que surgiram desde a repercussão do episódio em Fernando de Noronha.

O caso da brasileira foi escolhido para integrar o episódio What Shark Attacked?, quadro que investiga cientificamente incidentes reais envolvendo pessoas e tubarões.

Fotos : Divulgação Discovery Channel

Mais do que identificar a espécie responsável, o episódio desmistifica uma das principais crenças sobre o tubarão-lixa. Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, ele não apenas utiliza sucção para se alimentar: possui uma mordida extremamente poderosa.

Para medir essa força, a equipe do Discovery foi às Bahamas e utilizou sensores específicos em um tubarão-lixa com aproximadamente três metros, semelhante ao que mordeu Tayane. O resultado impressionou: cerca de 300 pounds de força — aproximadamente 136 quilos — concentrados em uma pequena área de contato, pressão comparada pelos especialistas ao funcionamento de uma prensa hidráulica.

A análise também apontou que, diante dessa intensidade, o esperado seria uma lesão muito mais grave, com ruptura muscular e extenso comprometimento dos tecidos.

“Os pesquisadores chegaram a dizer que não entendiam como consegui sair andando da água.”

Segundo os especialistas, a prática constante de atividades físicas e a maior massa muscular da advogada podem ter contribuído para reduzir a gravidade da lesão, preservando músculos e tendões.

““O que mais me impressionou no programa foi descobrir que anos de dedicação ao esporte e aos cuidados com a minha saúde podem ter feito diferença justamente em um dos momentos mais assustadores da minha vida. Saber que a minha massa muscular pode ter contribuído para que a lesão não fosse mais grave é algo que eu jamais imaginei. No fim, fiquei apenas com as marcas dos dentes do tubarão na perna, que hoje enxergo muito mais como um símbolo de superação do que como uma cicatriz.”

Desde o primeiro momento, Tayane optou por não tratar o episódio como um ataque, mas um incidente por interagir com o animal em seu habitat, sem que fosse colocado como vilão.

Dois meses após o ocorrido, Tayane voltou ao mar e a Fernando de Noronha, mergulhando novamente com tubarões-lixa e seguiu praticando surfe e outras atividades aquáticas.

Hoje, a experiência ultrapassa a história do incidente e passou a integrar também sua atuação como palestrante. Em encontros com empresas e instituições, Tayane utiliza o episódio para falar sobre preparação, tomada de decisão sob pressão, controle emocional, resiliência e a capacidade de transformar acontecimentos inesperados em aprendizado.

““O incidente faz parte da minha história, mas não como um trauma. O que realmente me motiva é mostrar que nem sempre podemos escolher o que nos acontece, mas podemos escolher como seguimos em frente e ressignificar experiências inesperadas.”

Tayane continua praticando esportes no mar e reforça que sua relação com o oceano permanece a mesma. Agora, além de integrar uma das maiores produções internacionais dedicadas ao estudo dos tubarões, seu caso também contribui para ampliar o conhecimento sobre uma espécie frequentemente cercada por mitos e desinformação.

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