Por muitos anos, financiar um imóvel foi considerado o caminho natural para quem desejava construir patrimônio. Hoje, essa lógica começa a mudar
Com o crédito bancário mais caro e um cenário econômico que exige maior eficiência na utilização do capital, empresários e investidores passaram a buscar alternativas capazes de preservar o caixa sem abrir mão da expansão patrimonial.
Os números mostram que essa mudança já está acontecendo.
Segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), o Sistema de Consórcios movimentou R$ 179,4 bilhões em créditos comercializados apenas entre janeiro e abril de 2026, crescimento de 27,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. No mesmo intervalo, as vendas de cotas cresceram 16,1%, enquanto o número de participantes ativos alcançou 12,94 milhões, o maior da história do setor. (Instagram)
Para Bruno Queiroz, CEO da QZ Investimentos, o crescimento do mercado vai muito além da busca por uma alternativa ao financiamento.
“Quando o custo do dinheiro aumenta, o investidor passa a olhar para o patrimônio de outra forma. A decisão deixa de ser apenas comprar um imóvel e passa a ser: como expandir meu patrimônio sem comprometer meu fluxo de caixa e minha capacidade de investir no próprio negócio.”
Essa mudança de comportamento acompanha um momento de juros elevados no Brasil, que encarece operações tradicionais de crédito e leva consumidores e empresários a reavaliar suas estratégias financeiras. Especialistas do mercado apontam que esse cenário tem contribuído para o avanço do consórcio, justamente por não ter juros bancários vinculados à taxa básica da economia, tornando-se uma alternativa para quem pode planejar a aquisição de bens. (InvesTalk)
Na avaliação de Bruno Queiroz, essa transformação representa uma mudança de mentalidade.
“Quem pensa apenas no preço da parcela continua comprando. Quem pensa em patrimônio começa a analisar custo de oportunidade, preservação de caixa e planejamento financeiro. É exatamente esse perfil que mais cresceu nos últimos anos.”
Esse movimento também pode ser observado dentro da QZ Investimentos. A empresa, que administra mais de R$ 150 milhões em operações estruturadas, já formou seu segundo grupo de investidores, reunindo empresários de diferentes estados brasileiros interessados em utilizar o consórcio como ferramenta de construção patrimonial no Brasil e de acesso a oportunidades internacionais, especialmente no mercado imobiliário dos Estados Unidos.
Segundo projeções da própria ABAC, o setor deverá crescer até 11% em 2026, com destaque para o consórcio imobiliário, cuja expectativa de expansão é de 25%. A tendência reforça que o consórcio deixou de ser visto apenas como uma modalidade de compra parcelada e passou a integrar o planejamento financeiro de quem busca crescimento patrimonial no longo prazo. (Blog Abac)