Uma cirurgia plástica bem realizada é um dos fatores para um bom resultado estético, mas não é o único. A forma como o organismo responde ao processo de cicatrização também exerce um papel fundamental e pode variar bastante de uma pessoa para outra. Enquanto alguns pacientes apresentam uma recuperação rápida e cicatrizes discretas, outros desenvolvem marcas mais evidentes ou enfrentam um processo de cicatrização mais lento.
De acordo com o cirurgião plástico Dr. Josué Montedonio, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), diversos fatores interferem na capacidade de regeneração da pele, desde características genéticas até hábitos do dia a dia.
“A cicatrização é um processo biológico extremamente complexo. Não existe uma fórmula única, porque cada organismo responde de maneira diferente. Além da técnica cirúrgica, aspectos como genética, alimentação, doenças preexistentes e estilo de vida podem influenciar diretamente a qualidade da recuperação e o aspecto final da cicatriz”, explica.
A genética tem papel importante
Segundo o especialista, uma das principais influências está na própria predisposição genética de cada indivíduo.
“Pessoas da mesma família podem apresentar tendências semelhantes para formar cicatrizes hipertróficas ou queloides. Isso acontece porque a produção de colágeno e a resposta inflamatória possuem características hereditárias”, afirma Dr. Josué.
Além disso, fatores como espessura da pele, elasticidade, tonalidade e capacidade natural de regeneração também ajudam a explicar por que algumas cicatrizes evoluem de maneira mais favorável do que outras.
Alimentação influencia a regeneração da pele
Outro fator frequentemente negligenciado é a alimentação. A reconstrução dos tecidos exige uma série de nutrientes que participam diretamente da formação de colágeno e da cicatrização.
“O organismo precisa de proteínas, vitaminas e minerais para reparar a pele. Quando há deficiência nutricional ou dietas muito restritivas, o processo pode ficar mais lento e até aumentar o risco de complicações”, explica.
Entre os nutrientes mais importantes para a recuperação estão:
proteínas;
vitamina C;
vitamina A;
zinco;
ferro;
boa hidratação.
Segundo o médico, manter uma alimentação equilibrada antes e após uma cirurgia faz parte dos cuidados que favorecem uma recuperação adequada.
Algumas doenças dificultam a cicatrização
Pacientes com doenças crônicas também podem apresentar um processo de cicatrização diferente.
“O diabetes é um dos exemplos mais conhecidos, porque níveis elevados de glicose prejudicam a circulação e dificultam a chegada de oxigênio e nutrientes aos tecidos. Isso pode retardar a recuperação e aumentar o risco de infecções”, explica.
Além do diabetes, obesidade, anemia, doenças vasculares, doenças autoimunes e o uso prolongado de alguns medicamentos, como corticoides, também podem interferir negativamente na regeneração da pele.
Hábitos fazem toda a diferença
O estilo de vida é outro ponto determinante. Entre todos os hábitos, o tabagismo é considerado um dos principais inimigos da cicatrização.
“A nicotina reduz a circulação sanguínea, diminuindo o fornecimento de oxigênio para os tecidos. Isso aumenta o risco de abertura dos pontos, necrose da pele, infecções e cicatrizes de pior qualidade”, alerta o cirurgião plástico.
O especialista destaca que o consumo excessivo de álcool, noites mal dormidas, altos níveis de estresse e a falta de controle de doenças também podem prejudicar o processo de recuperação.
Os cuidados após a cirurgia também contam
Mesmo pessoas sem fatores de risco precisam seguir corretamente todas as recomendações médicas durante o pós-operatório.
“O resultado final não depende apenas da cirurgia. O paciente participa ativamente da própria recuperação. Usar corretamente as medicações, evitar esforços físicos antes da liberação médica, proteger a cicatriz do sol e comparecer às consultas de acompanhamento fazem toda a diferença”, ressalta Dr. Josué.
É possível melhorar a aparência da cicatriz?
Embora nenhuma cicatriz possa ser completamente eliminada, existem estratégias que ajudam a favorecer uma boa evolução.
Entre elas estão o planejamento adequado da cirurgia, o controle de doenças, uma alimentação equilibrada, abandono do cigarro e o acompanhamento médico durante toda a recuperação. Em alguns casos, tratamentos complementares, como placas de silicone, laser ou outras terapias indicadas pelo especialista, também podem ser utilizados para melhorar o aspecto da cicatriz.
“Cada paciente possui uma resposta própria ao processo de cicatrização. O mais importante é compreender que uma boa recuperação depende de um conjunto de fatores e que o acompanhamento individualizado permite adotar medidas para alcançar o melhor resultado possível”, conclui Dr. Josué Montedonio, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).
