Após contar que perdeu 20 quilos antes da lipoaspiração e revelar que não conseguiu se adaptar aos medicamentos para obesidade, influenciadora chama atenção para uma tendência que cresce entre mulheres: entender o próprio organismo antes de iniciar o processo de emagrecimento
“Eu duvido que você não usou caneta emagrecedora.” Foi assim que Viih Tube começou um vídeo publicado nas redes sociais para responder às perguntas dos seguidores sobre sua transformação física. A influenciadora contou que tentou utilizar medicamentos para emagrecimento, mas interrompeu o tratamento porque passou mal. Segundo ela, a perda de 20 quilos antes da lipoaspiração aconteceu após mudanças na alimentação, prática de atividade física, cuidados com a saúde mental e um acompanhamento baseado em exames que ajudaram a compreender melhor o funcionamento do seu organismo.
Para Bruna Makluf, nutricionista e diretora de Nutrição da WeFit, esse movimento representa uma mudança na forma de encarar o emagrecimento. “Durante muito tempo as pessoas perguntavam qual era a melhor dieta. Hoje a pergunta mudou para ‘o que funciona para mim?’. Cada organismo responde de uma maneira diferente aos alimentos, ao sono, ao estresse e ao exercício físico. Quando conseguimos compreender essas características, o planejamento nutricional deixa de ser baseado em tentativa e erro e passa a considerar a individualidade de cada paciente”, afirma a especialista, que já atendeu mais de 5 mil pessoas ao longo da carreira.
O relato amplia uma discussão que vem ganhando espaço entre profissionais de saúde. Em vez de buscar apenas uma dieta ou um medicamento, cresce o interesse por abordagens que consideram fatores como predisposição genética, saúde intestinal, qualidade do sono e hábitos de vida para construir estratégias individualizadas.
Viih Tube conta que realizou um teste genético que é um exame de microbiota intestinal. Segundo a influenciadora, a análise revelou um quadro de disbiose, levando a equipe responsável pelo acompanhamento a priorizar o equilíbrio da saúde intestinal antes de outras mudanças na alimentação. Ela também mostrou um anel inteligente utilizado para monitorar indicadores como sono, frequência cardíaca e níveis de estresse durante a rotina.
Embora ainda sejam pouco conhecidos pelo público, exames desse tipo vêm sendo incorporados ao acompanhamento nutricional em diferentes situações clínicas. O teste genético identifica características relacionadas ao metabolismo, ao comportamento alimentar e à forma como cada organismo tende a responder a determinados nutrientes. Já a análise da microbiota permite avaliar o equilíbrio das bactérias presentes no intestino, informação que pode auxiliar o profissional na elaboração do plano alimentar.
“Os exames não determinam se alguém vai emagrecer ou não. Eles oferecem informações que ajudam o nutricionista a tomar decisões mais individualizadas. Muitas vezes duas pessoas apresentam o mesmo objetivo, mas precisam de estratégias completamente diferentes para alcançá-lo”, explica Bruna.
Outro ponto destacado pela influenciadora foi o acompanhamento contínuo da rotina. Segundo Bruna, fatores como noites mal dormidas, estresse elevado e alterações no comportamento alimentar costumam interferir diretamente na adesão ao tratamento e, por isso, precisam ser observados durante todo o processo. “Não existe um único fator responsável pelo emagrecimento. Alimentação, sono, atividade física, saúde intestinal, comportamento e rotina caminham juntos. Quanto mais informações conseguimos reunir sobre o paciente, maior a possibilidade de construir um plano compatível com a realidade daquela pessoa.”
Para a nutricionista, o principal mérito desse novo olhar é afastar a ideia de soluções universais. “Emagrecer continua exigindo mudança de hábitos e acompanhamento profissional. A diferença é que hoje temos mais recursos para entender por que determinadas estratégias funcionam para algumas pessoas e não para outras. Isso torna o processo mais individualizado, mais sustentável e, muitas vezes, menos frustrante.”
O relato de Viih Tube ajuda a colocar essa discussão em evidência. Mais do que reforçar ou rejeitar o uso de medicamentos, ele chama atenção para uma mudança silenciosa na forma como muitas mulheres têm buscado cuidar da saúde: antes de seguir a próxima tendência, entender primeiro como o próprio corpo funciona.
