Empresas elevam a exigência por competências técnicas e comportamentais, enquanto a capacidade de adaptação passa a pesar mais do que a formação tradicional isolada
O Relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta que 39% das habilidades centrais exigidas no trabalho devem mudar até 2030, enquanto empregadores indicam pensamento analítico, resiliência, flexibilidade, liderança e alfabetização tecnológica entre as competências mais valorizadas. Nesse movimento, a formação tradicional deixa de ser vista como ponto final da qualificação e passa a funcionar como apenas uma etapa da trajetória profissional.
Para Tiago Zanolla, especialista em educação, empreendedor e fundador de ecossistema educacional voltado à qualificação profissional, o profissional que depende exclusivamente de um diploma obtido anos atrás tende a perder competitividade. “A formação acadêmica continua importante, mas ela já não resolve sozinha a necessidade de adaptação que o mercado exige. As mudanças estão mais rápidas, novas funções surgem o tempo todo e as empresas querem profissionais capazes de aprender, reaprender e combinar diferentes competências”, afirma.
O diploma já não basta
O Workplace Learning Report 2025, do LinkedIn, mostra que desenvolvimento de carreira e aprendizagem contínua se consolidaram como prioridades estratégicas para retenção e crescimento organizacional. O levantamento reforça que companhias com programas mais maduros de desenvolvimento profissional reportam melhores resultados de negócio.
Na avaliação de Zanolla, a lógica de carreira linear perdeu força diante da velocidade das transformações digitais e das mudanças no perfil das contratações. “As empresas deixaram de buscar apenas especialistas técnicos. Elas querem pessoas que consigam transitar entre áreas, interpretar problemas, lidar com tecnologia, se comunicar bem e responder rápido às mudanças”, diz.
Cursos complementares, certificações, especializações curtas e trilhas modulares ganharam espaço justamente por permitir respostas mais rápidas às demandas do mercado. “O modelo tradicional foi construído para um ciclo profissional mais previsível. Hoje, muita gente precisa se reposicionar em menos tempo, seja para mudar de área, assumir novas funções ou acompanhar transformações tecnológicas. A educação modular encurta esse processo porque permite atualização mais direcionada”, afirma.
Aprendizado contínuo virou vantagem competitiva
O próprio Fórum Econômico Mundial indica que ampliação do acesso digital e avanços em IA estão entre os principais vetores de transformação do emprego global. Isso tem ampliado a busca por profissionais que conciliam domínio técnico com competências humanas menos automatizáveis.
Para Zanolla, a empregabilidade passou a ser menos associada ao acúmulo de títulos e mais conectada à capacidade de evolução constante. “O profissional do futuro não será necessariamente quem estudou mais tempo, mas quem consegue aprender com mais agilidade e aplicar conhecimento em diferentes contextos.”
Embora a exigência por múltiplas competências aumente a pressão sobre trabalhadores, especialistas apontam que esse movimento também abre espaço para trajetórias menos rígidas e mais dinâmicas, especialmente para quem investe em atualização contínua como estratégia de carreira.
