Blefaroplastia avançou cerca de 24% entre os homens em um ano e ajuda a revelar um público que busca suavizar sinais do tempo sem descaracterizar o rosto
A procura masculina por cirurgia facial ganhou novo fôlego. Dados divulgados em 2026 pela American Academy of Facial Plastic and Reconstructive Surgery (AAFPRS) mostram que 95% dos cirurgiões plásticos faciais entrevistados atenderam homens em 2025, ante 92% no ano anterior. Rinoplastia e blefaroplastia aparecem entre as cirurgias mais procuradas por esse público, que, segundo a entidade, tem priorizado resultados naturais, capazes de suavizar sinais do envelhecimento sem deixar mudanças evidentes no rosto.
Para Danielle Gondim, cirurgiã plástica especializada em face, formada pelo Instituto Ivo Pitanguy, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e especialista em cirurgia plástica facial, o rejuvenescimento facial masculino exige atenção especial às características individuais. A médica, que tem suas técnicas publicadas em periódicos internacionais, defende resultados que preservem os traços e evitem a padronização estética.
“Cada face precisa ser avaliada de forma única. O objetivo do rejuvenescimento não é criar outro rosto, mas restaurar estruturas respeitando aquilo que identifica aquela pessoa. No homem, essa preservação é especialmente importante porque alterações pequenas em determinadas regiões podem modificar bastante a percepção da expressão e dos traços”, afirma Danielle.
O movimento ocorre enquanto o Brasil ocupa a liderança mundial em número de cirurgias estéticas. Segundo a ISAPS, foram estimados 2,35 milhões de procedimentos cirúrgicos no país em 2024. As operações de face e cabeça somaram aproximadamente 910,8 mil intervenções, incluindo 231,2 mil blefaroplastias, 121,4 mil liftings faciais e 98,7 mil cirurgias de pescoço.
O que muda no planejamento do rosto masculino
Embora homens e mulheres possam apresentar flacidez, excesso de pele, bolsas nas pálpebras e alterações no contorno facial ao longo do tempo, o planejamento não deve seguir um padrão único. Formato e posição das sobrancelhas, projeção do queixo, linha mandibular, distribuição de gordura, barba e proporções entre as diferentes áreas do rosto precisam ser considerados antes da indicação.
Entre empresários, executivos e profissionais com maior exposição pública, a busca costuma estar associada à vontade de suavizar uma aparência cansada ou envelhecida sem provocar uma transformação evidente. Nesse contexto, procedimentos na região dos olhos, mandíbula e pescoço estão entre as possibilidades avaliadas conforme as características de cada paciente.
Na blefaroplastia, por exemplo, a cirurgia pode tratar excesso de pele e bolsas de gordura nas pálpebras, mantendo o formato original dos olhos. Em alguns casos, alterações na posição das sobrancelhas também precisam ser consideradas. Já quando há flacidez mais ampla ou perda de definição do contorno da face e do pescoço, a avaliação pode envolver técnicas cirúrgicas direcionadas a planos mais profundos.
Danielle trabalha com o conceito de cirurgia facial singular, no qual a indicação parte das particularidades anatômicas do paciente. Criadora da técnica Singular Restore®, a especialista combina diferentes abordagens de acordo com as necessidades identificadas na avaliação, entre elas deep plane facelift, cirurgia do pescoço, blefaroplastia e enxerto de gordura.

“A naturalidade não depende apenas de fazer uma intervenção pequena. Ela depende de compreender o que aconteceu com aquela face e tratar cada região sem apagar características individuais. O resultado precisa continuar pertencendo ao paciente”, explica.
Cirurgia e procedimentos têm funções diferentes
A escolha entre procedimentos minimamente invasivos e cirurgia depende das características de cada paciente e do que se pretende tratar. Toxina botulínica, preenchedores e tecnologias voltadas à qualidade da pele têm indicações diferentes das intervenções cirúrgicas, que podem ser consideradas quando existem alterações estruturais, excesso de pele ou flacidez mais acentuada. A definição da abordagem adequada deve partir de avaliação médica individualizada.
Os números da ISAPS mostram que o interesse masculino não está restrito à cirurgia das pálpebras. Entre 2023 e 2024, o número de facelifts realizados em homens passou de 102.616 para 123.776, crescimento de aproximadamente 20,6%. Já os enxertos de gordura facial avançaram de 127.769 para 173.940 procedimentos, alta próxima de 36%.
A tendência também acompanha a expansão global das intervenções faciais. Em 2024, procedimentos cirúrgicos de face e cabeça superaram 7,4 milhões no mundo e cresceram 4,3% em relação ao ano anterior. A blefaroplastia ultrapassou 2,1 milhões de cirurgias e assumiu a primeira posição entre as operações estéticas mais realizadas globalmente.
Para a cirurgiã, independentemente do gênero ou da idade, a indicação precisa partir de uma análise individual, com atenção à anatomia, às condições de saúde e às expectativas do paciente.
“Não existe um rosto que deva servir de modelo para todos. O planejamento precisa preservar identidade, proporção e expressão. A cirurgia bem indicada busca rejuvenescimento sem transformar a pessoa em uma versão padronizada de beleza”, conclui.
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