Transição de carreira acompanha mudança de um segmento cada vez mais ligado à eficiência e ao desempenho das empresas
A decisão de sair de uma carreira executiva consolidada para assumir o comando de uma empresa técnica pode parecer um movimento de risco. Patrick Galletti, engenheiro mecatrônico, especialista em climatização e CEO do Grupo RETEC, foi uma resposta a uma oportunidade pouco explorada: transformar a climatização de um serviço operacional em uma estratégia de negócio.
Hoje CEO do Grupo RETEC, empresa com mais de quatro décadas de atuação em climatização e refrigeração no Centro Oeste, Galletti afirma que a mudança de rota profissional ocorreu ao identificar um setor ainda pouco desenvolvido sob a ótica da gestão. “Percebi que muitas empresas dominavam a parte técnica, mas poucas tratavam climatização como negócio estratégico. Havia espaço para profissionalizar processos, ganhar escala e entregar mais valor ao cliente”, diz.
Antes de ingressar no empreendedorismo, ele acumulou experiência em engenharia de orçamento, gerenciamento de riscos, obras e operações de grande porte. A vivência em ambientes corporativos moldou a forma como passou a enxergar o setor. “Levei para a climatização uma mentalidade orientada por indicadores, previsibilidade e eficiência. Isso muda a relação com prazo, custo, manutenção e resultado”, afirma.
Esse movimento ocorre em meio à maior pressão por eficiência nas empresas. Dados da Empresa de Pesquisa Energética indicam que sistemas de climatização podem representar cerca de 47% do consumo de eletricidade em edifícios comerciais e públicos, o que tem ampliado a demanda por soluções mais eficientes e melhor planejadas.
Do técnico ao estratégico
Para o especialista, um dos principais erros históricos do setor foi a forma como o serviço foi posicionado. “O cliente não compra máquina. Ele compra continuidade operacional, conforto térmico, saúde do ambiente e redução de custo. Quando a empresa entende isso, muda completamente a entrega”, afirma.
Sob essa lógica, o Grupo RETEC ampliou suporte para projetos corporativos, hospitalares, comerciais e industriais, combinando apoio de ponta a ponta para instalação, manutenção e modernização de sistemas. A estratégia também inclui soluções com automação e monitoramento para antecipar falhas e melhorar o desempenho energético.
“O ar condicionado deixa de ser despesa quando passa a evitar parada de operação, perda de produtividade e consumo excessivo. Esse raciocínio ainda está amadurecendo no Brasil, mas avançou nos últimos anos”, diz.
Da estrutura corporativa ao risco do empreendedorismo
A transição da carreira executiva para o empreendedorismo também trouxe desafios. Segundo ele, trocar a estrutura corporativa pela rotina empresarial exige rapidez nas decisões e maior tolerância ao risco. “Na empresa própria, não existe zona de conforto. Você precisa liderar pessoas, vender, inovar e resolver problemas ao mesmo tempo”, afirma.
Ainda assim, Galletti avalia que o momento é favorável para negócios especializados. “Setores técnicos ganharam protagonismo porque impactam diretamente o resultado financeiro. Quem entrega eficiência real tende a crescer.”
Com o aumento da demanda por eficiência energética e maior atenção ao desempenho operacional das empresas, a climatização deixou de ser tratada apenas como suporte e passou a integrar decisões estratégicas.
De acordo com o engenheiro, essa mudança também explica sua própria trajetória. “Saí do mundo corporativo para empreender em um segmento tradicional, mas que precisava de visão de gestão. O setor evoluiu e abriu espaço para quem consegue conectar técnica com estratégia”, conclui.
