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Quando a beleza vira linguagem: Mulheres que usam a imagem para afirmar presença

Em um mercado que abandona excessos e filtros, histórias como a de Márcia Gama revelam como cabelo, pele e autocuidado passaram a comunicar identidade, força e posicionamento, não status ou tendência.

Nos últimos anos, a beleza deixou de ser apenas estética. Cabelo, maquiagem e autocuidado passaram a funcionar como linguagem, uma forma silenciosa, porém poderosa, de comunicar presença, identidade e pertencimento. Em vez de seguir padrões impostos, cresce um movimento de mulheres que usam a própria imagem para afirmar quem são e em que fase da vida estão.

É nesse cenário que se insere Márcia Gama. Sem discursos grandiosos ou mudanças radicais, ela passou a olhar para a própria imagem como extensão do seu estado emocional e da forma como deseja se colocar no mundo. “Eu precisei me reconhecer de novo. Quando a gente passa por tanta coisa, ou se perde ou se reencontra. Eu escolhi me reencontrar”, diz.

O cabelo assume um papel central nesse processo. Não como tendência, mas como símbolo de identidade e continuidade. A atenção aos fios, as escolhas conscientes e a constância no cuidado refletem uma mulher que entende a imagem como parte do seu posicionamento. “O cabelo carrega muita história. Quando comecei a cuidar mais dele, percebi que estava, na verdade, cuidando de mim”, afirma.

A maquiagem segue a mesma lógica. Menos transformação, mais revelação. Traços respeitados, pele real, expressão preservada. “Hoje eu não quero parecer outra pessoa. Quero parecer eu, só que mais inteira”, resume. A fala ecoa um movimento cada vez mais presente no mercado da beleza, que valoriza autenticidade, naturalidade e identidade acima de efeitos e excessos.

O cuidado com a pele aparece como rotina, não como ritual complexo. Constância, simplicidade e atenção ao bem-estar substituem fórmulas milagrosas. “Aprendi que autocuidado não é vaidade, é sobrevivência emocional”, diz Márcia, reforçando uma visão de beleza ligada à saúde mental e à presença no cotidiano.

Histórias como a dela dialogam com uma geração que entende a beleza como ferramenta de comunicação. Cada escolha estética carrega intenção, história e significado. Mais do que uma mudança visual, trata-se de um movimento de afirmação, no qual imagem, identidade e propósito caminham juntos, sem precisar de rótulos ou narrativas prontas.

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