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Saúde

Dr. Sandes Hipólito explica por que o metabolismo pode ser decisivo no emagrecimento e faz alerta sobre o uso do Mounjaro

Em meio ao crescimento acelerado da busca por emagrecimento e à popularização de soluções rápidas nas redes sociais, o médico Dr. Sandes Hipólito observa uma mudança importante, e necessária na forma como a medicina tem passado a enxergar esse processo.

Segundo ele, o erro mais comum ainda está na maneira simplificada com que o emagrecimento é tratado. Durante muito tempo, explica o especialista, emagrecer foi visto apenas como uma questão de disciplina alimentar. Hoje, esse conceito vem sendo substituído por uma abordagem mais ampla e científica.

“O emagrecimento deixou de ser visto como algo exclusivamente comportamental e passou a ser entendido como um processo metabólico”, afirma.
Na prática, o Dr. Sandes explica que muitos pacientes não enfrentam apenas dificuldades com dieta, mas sim alterações internas que impedem o corpo de responder de forma eficiente. Quadros como resistência à insulina, inflamação crônica e desregulações hormonais, segundo ele, estão entre os principais fatores que dificultam a perda de gordura, mesmo quando há esforço.

Dr. Sandes Hipólito (Foto: Arquivo Pessoal)

Essa visão, de acordo com o médico, ajuda a entender por que tantas pessoas se frustram ao tentar emagrecer. Reduzir calorias de forma isolada, como ele ressalta, nem sempre resolve o problema. Sem corrigir o ambiente metabólico, o organismo tende a reagir com mecanismos de defesa, dificultando a evolução e favorecendo o reganho de peso.

Nos últimos meses, o Dr. Sandes também tem acompanhado de perto o aumento das discussões sobre medicamentos como o Mounjaro. Inicialmente indicado para o tratamento do diabetes tipo 2, o fármaco passou a ganhar espaço como alternativa para o emagrecimento, o que exige, na visão do médico, um olhar mais criterioso.
Para ele, trata-se de um avanço relevante dentro da medicina, desde que bem indicado.

“São ferramentas terapêuticas extremamente eficazes quando bem indicadas. Medicamentos como a tirzepatida atuam diretamente no controle do apetite, aumentam a saciedade e melhoram a sensibilidade à insulina, o que impacta diretamente na resposta do paciente”, explica.

Ainda assim, o especialista chama atenção para um ponto que tem se tornado recorrente na prática clínica: o uso do medicamento como solução isolada.

Segundo o Dr. Sandes, quando não há uma estratégia estruturada por trás, o emagrecimento pode acontecer de forma inadequada. Ele destaca que, nesses casos, é comum a perda de massa magra, sem ajustes metabólicos consistentes, o que favorece o reganho de peso após a interrupção do uso.

“O problema não está no medicamento, mas na forma como ele é utilizado. Sem correção metabólica, mudança de hábitos e acompanhamento, o resultado dificilmente se sustenta”, ressalta.

Na condução dos seus pacientes, o médico reforça que o foco vai muito além da balança. Ele explica que o objetivo não é apenas reduzir o peso, mas melhorar a composição corporal e garantir a manutenção dos resultados ao longo do tempo.
Para isso, sua abordagem envolve uma estrutura que considera desde a correção do ambiente metabólico até a organização do comportamento do paciente, sempre de forma individualizada.

Outro ponto que, segundo o Dr. Sandes, é determinante nesse processo é a avaliação hormonal. Ele explica que alterações como hiperinsulinemia, disfunções da tireoide e desregulação do cortisol interferem diretamente na capacidade do organismo de mobilizar gordura.
Em muitos casos, como observa na prática clínica, essas condições fazem com que o corpo priorize o armazenamento de energia, dificultando o emagrecimento mesmo quando o paciente está se esforçando.

Essa lógica também explica, na visão do especialista, o chamado “efeito sanfona”. Ele destaca que dietas muito restritivas podem até gerar perda de peso no curto prazo, mas frequentemente levam à redução de massa magra e à desaceleração metabólica. Como consequência, há aumento do apetite e maior facilidade para recuperar o peso perdido.

Diante desse cenário, o Dr. Sandes reforça que a condução adequada é o que determina a qualidade do resultado. Em casos mais leves, com menor comprometimento metabólico, ele explica que é possível alcançar bons resultados apenas com ajustes alimentares, treino e organização da rotina.
Por outro lado, em pacientes com maior complexidade metabólica, o uso de medicações pode ser necessário como ferramenta dentro de uma estratégia mais ampla.

Independentemente do caminho, o médico é enfático ao destacar que o ponto de partida deve ser sempre o entendimento do organismo.
“O emagrecimento eficaz não é tentativa, é condução clínica estruturada. Quando você entende o metabolismo do paciente, consegue ter muito mais previsibilidade e segurança no resultado”, conclui.

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