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Saúde

Laserterapia ganha espaço na odontologia e acelera recuperação bucal de pacientes fragilizados 

Tecnologia reduz dor, inflamação e tempo de recuperação, ampliando as possibilidades de tratamento para idosos, pacientes acamados e pessoas com deficiência

As doenças bucais afetam cerca de 3,5 bilhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e seguem entre os problemas de saúde mais comuns da população global. Ao mesmo tempo, o Brasil envelhece rapidamente. Dados divulgados pelo IBGE mostram que a população com 60 anos ou mais cresceu de 22 milhões para 34,1 milhões de pessoas entre 2012 e 2024, avanço de 53,3%. Esse movimento tem ampliado a demanda por tratamentos odontológicos capazes de oferecer mais segurança, conforto e recuperação rápida para pacientes com condições de saúde mais delicadas.

Nesse contexto, a laserterapia tem ganhado espaço na odontologia como uma alternativa complementar para reduzir inflamações, aliviar dores e acelerar processos de cicatrização. Para a Dra Cristiane Vasconcellos, cirurgiã dentista, mestre em Clínica Odontológica Integrada, especialista em Odontogeriatria, Laserterapia, Odontologia Hospitalar e diretora clínica da Odontolar, em Vitória (ES), a tecnologia tem sido especialmente importante no atendimento de idosos, pacientes acamados, pessoas com deficiência e indivíduos com múltiplas comorbidades.

A laserterapia não substitui os tratamentos convencionais, mas potencializa seus resultados. É uma ferramenta que reduz a dor, a inflamação e o tempo de recuperação, fatores que impactam diretamente a saúde sistêmica, sobretudo em pacientes mais fragilizados”, afirma. 

A técnica utiliza feixes de luz de baixa intensidade capazes de estimular processos biológicos naturais do organismo. Na prática clínica, pode ser aplicado em situações como lesões bucais, mucosite, feridas decorrentes do uso de próteses, aftas recorrentes, fungos, pós operatórios, processos inflamatórios gengivais e quadros de dor relacionados à cavidade oral.

Recuperação mais rápida e menor impacto clínico

A busca por tratamentos menos invasivos acompanha uma mudança no perfil dos pacientes atendidos. Com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros, que chegou a 76,6 anos em 2024, segundo o IBGE, cresce também a necessidade de abordagens que reduzam complicações e preservem a qualidade de vida durante os tratamentos de saúde. 

Segundo Cristiane, a principal vantagem da laserterapia está na capacidade de acelerar a recuperação sem aumentar a carga medicamentosa do paciente.

“Muitos idosos utilizam diversos medicamentos simultaneamente. Quando conseguimos reduzir processos inflamatórios e controlar sintomas por meio de recursos físicos, diminuímos desconfortos e favorecemos uma recuperação mais tranquila”, explica.

A especialista ressalta que os benefícios vão além da saúde bucal. Infecções e inflamações na boca podem interferir na alimentação, no controle de doenças crônicas e até na recuperação de pacientes hospitalizados.

“A boca faz parte do organismo. Quando existe dor ou um foco inflamatório persistente, o impacto não fica restrito aos dentes ou gengivas. O paciente pode se alimentar pior, apresentar déficits nutricionais e enfrentar dificuldades adicionais em tratamentos médicos já em andamento”, destaca. 

Tecnologia amplia possibilidades no atendimento domiciliar

A evolução dos equipamentos também permitiu que a laserterapia passasse a integrar atendimentos realizados fora dos consultórios, incluindo serviços de home care, assistência em instituições de longa permanência para idosos e em hospitais.

Com mais de duas décadas de atuação na odontologia domiciliar, Cristiane observa que a tecnologia se tornou uma aliada importante para levar tratamentos de mais qualificados a pacientes que possuem limitações de mobilidade.

“Hoje conseguimos oferecer recursos que antes estavam restritos ao ambiente clínico tradicional. Isso amplia o acesso ao tratamento e evita deslocamentos muitas vezes desgastantes para quem já enfrenta limitações físicas ou condições de saúde mais complexas”, diz.

A expectativa é que o uso da laserterapia continue crescendo nos próximos anos, acompanhando a expansão da odontologia hospitalar, domiciliar e voltada ao envelhecimento saudável. Para a especialista, essa tendência reflete uma transformação mais ampla na área da saúde, baseada na integração entre tecnologia, prevenção e cuidado individualizado. 

“Quanto mais conseguimos reduzir o sofrimento, acelerar recuperações e preservar a autonomia dos pacientes, maior é o impacto positivo na qualidade de vida. A tecnologia tem um papel importante nesse processo quando utilizada de forma criteriosa e baseada em evidências”, conclui.

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